domingo, 25 de setembro de 2011

Homo homini lupus

"Ah! Plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento..."(...)
"Noites de além, remotas, que eu recordo,
Noites da solidão, noites remotas
Que nos azuis da Fantasia bordo,
Vou constelando de visões ignotas" (...)
"Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas".
(VIOLÕES QUE CHORAM, Cruz e Sousa , janeiro de 1897)

Velho violeiro, 1903, do pintor cubista espanhol Pablo Picasso (1881-1973). Quando foi pela primeira vez exposta, gerou estranhamento pelo excesso de cor azul e pela tristeza que emana. O violeiro, já velho, parece entregar-se ao lamento da música, depois de ter visto tantas atrocidades durante seus anos de vida.
O poema acima é do Simbolismo, um movimento tímido e pequeno em comparação ao Parnasianismo, que ganhava fama na época, e outros movimentos, a ponto de ser chamado "decadentismo", por pregarem ideais contrárias ao materialismo crescente da época. Apesar de relacionar-se ao misticismo, o Simbolismo é digno de nota, possuindo uma mensagem preciosa, que vai contra a futilidade e a fé na ciência humana que acabaram por conduzir a Europa á destruição. O Simbolismo procurava um sentido na existência, e pregava que a dor da vida era necessária para se atingir a evolução espiritual.
(Note, curiosamente, que a aliteração do som do "v" tem como objetivo imitar a sonoridade e musicalidade do violão.)
Recuerdos de la Alhambra, de Francisco Tárrega (1852-1909).

            De fato, pensar demais nos horrores que existem neste mundo, principalmente nos causados pelo próprio homem, pode enlouquecer qualquer um. A maioria prefere não pensar nisso, o que é mais confortável, porém, como disse Albert Einstein (1879-1955), “o mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que deixam o mal acontecer”.
            Se você, amigo, não consegue sentir de fato o quanto a humanidade é atroz, asquerosa e suja pelas suas maldades sem fim, é porque está alienado. Também, se não reconhece que todos os males que o ser humano causa e sofre são provocados pelo seu ego, também não está compreendendo de fato como funciona o mundo.
            “O homem é o lobo do homem”. Já no século XIX foi notado que, se todas as riquezas empregadas na manutenção e sustentação dos exércitos dos países fossem aplicadas à população, sobrariam recursos para a solução de todos os problemas sociais e dispensaria a necessidade de qualquer conflito armado. Isso, porém, até hoje não aconteceu: os homens preferiram seguir seus governantes manipuladores e sedentos de poder, que continuam a apontar armas para seus irmãos.
            Pense, por exemplo, no quanto somos ainda selvagens. Somos ainda tão primitivos que lutamos pelos nossos interesses próprios, vivemos de modo egoísta, em um sistema desigual, e somos capazes de matar e torturar para o nosso prazer. O que nos afasta disso e nos faz “bons”, ou seja, o que nos faz mais humanos e menos animais, é o que chamamos de moral, que se resume em uma única e prática moral universal, o estágio final da evolução do homem, a moral de Cristo.
            Por isso fomos criados “à imagem e semelhança de Deus”: há algo de humano, de divino em nós, mas que com o pecado foi sobrepujado pela natureza, que é selvagem. O motivo de estarmos neste mundo é, então, evoluir para longe do animalesco e para perto do divino. Eis o motivo de estarmos nesta Terra sofrida, imperfeita, passageira.: evoluirmos e obtermos a vitória retornando aos braços do Criador. E essa jornada pelo mundo exige que combatamos nossa natureza má, que só traz perdição, e desenvolvamos o espírito, que traz a paz e a vida.
 Essa música de Johann Sebastian Bach (1685-1750), compositor barroco alemão, Tocata e Fuga em D menor, nada tem a ver com a história do Drácula, mas foi relacionada ao personagem como música de terror. O Conde Drácula, inventado por Bram Stoker (1847-1912) aparece na obra Dracula, de 1897, que pertence à literatura gótica e ao Simbolismo. O que há de simbolista no livro é o retorno do gótico, do sombrio, presente no Romantismo, e também pela alta carga mística, pela crítica social sutil e pela reflexão feita no livro pelo personagem Abraham Van Helsing, que diz ser o Universo ainda um grande mistério, de modo que tudo é possível e de nada podemos duvidar somente porque não vemos ou não encontramos razão para acontecer.

            Tudo se resume à doutrina de Cristo, em especial ao maior dos mandamentos, que engloba todos os outros: amar o próximo como a nós mesmos. Liev Tolstoi (1828-1910), o grande escritor russo, autor dos dois maiores romances da História, Guerra e Paz e Ana Karenina, mostrou em seu livro O reino de Deus está em vós, de caráter filosófico e anarquista, que a moral cristã é o estágio final da evolução do pensamento humano, que se inicia pela exteriorização do ego, a começar pela família, depois pela tribo, pelo povo e enfim pela humanidade.
As religiões, interpretações do mundo, sempre giraram em torno desses ideais; as religiões tribais, nacionais, pagãs, e enfim a religião universal. Jesus, porém, não fundou uma religião como as outras, mas sim uma moral nova, a ser aplicada pelos homens. Por se opor à natureza humana, é a única solução para seus conflitos. A não ser pelo amor entre todos, pela paz, jamais resolveremos nossas guerras, nossa ganância, nossa divisão, nosso preconceito.
O mundo está revestido de aparências hipócritas por todos os lados, em todos os aspectos. A essência, porém, do mundo é podre, asquerosa, horrenda. É isso o que procura mostrar o Expressionismo, que levantou voz em meio a uma Europa em plena belle époque, a qual sofreu logo em seguida com as terríveis Guerras Mundiais. Com todo nosso conhecimento científico, que poderia trazer somente o bem, sofremos cada vez com conflitos mais sangrentos. O mundo chora de dor e agonia.
Em O Ateneu, 1888, romance de Raul Pompeia (1863-1895) que reúne estéticas como o Naturalismo, o Impressionismo e o Expressionismo, fica clara a crítica ao Estado e à sociedade, retratada no microcosmo do internato. No início da obra é relatada a ilusão hipócrita que era criada em torno do colégio Ateneu, girando em torno na personalidade do diretor Aristarco, personificação do chefe de Estado. No segundo capítulo, porém, é relatada a desilusão pela qual passou o personagem principal, Sérgio, o narrador, retratando aquele meio como uma sociedade corrompida e selvagem, onde vale a lei do mais forte e onde tudo gira em torno dos interesses egoístas. No final do capítulo percebe-se o desânimo, o pessimismo do personagem diante do contraste entre o ideal de irmandade e cooperação que antes vira nas demonstrações atléticas dos alunos no festival escolar, e a realidade individualista e entristecedora.
Um encontro, 1884, pintura de Marie Bashkirtseff (1860-1884), boa ilustração do meio retratado em O Ateneu, do convívio entre os meninos da pré-adolescência, fase rude de desilusão e descobertas desagradáveis, até a maturação da adolescência, quando se é definido o caráter após os traumas, vitórias e derrotas experimentadas no meio selvagem do colégio.

Cena "Dança dos cavaleiros" do balé russo "Romeu e Julieta", de Sergej Prokofiev (1891-1953), um bom exemplo de música soviética. Percebe-se o gosto soviético por músicas conservadoras. A história de Romeu e Julieta, tornada famosa pela peça de Shakespeare, mostra qual é a consequência inevitável do ódio: a morte. Já o amor, apesar de ter levado os amantes ao suicídio, uniu-os na eternidade, visto que ele os redimiu. Parece irracional duas famílias brigarem por um ódio antigo e constante, e realmente é. O pior é que hoje o mundo está repleto de ódios e conflitos sangrentos causados pelos mesmos motivos, como animais brigam por um pedaço de comida ou cães e gatos por não gostarem nem de ver um ao outro. No fim, as duas famílias de reconciliam, arrependidas.

No quinto capítulo, Sérgio, depois de encontrar conforto na religião, acaba se afastando dela, depois de se ver rodeado de repressões e superstições pesadas. Não conseguia, com isso, encontrar sincero sentido na vida, razão, ou seja, repudiou a falsa religião que é pregada e incentivada pelo Estado. Ah, quantos hoje se encontram nessa situação de descrença! Muitos mal sabem que a verdade se encontra por trás de todas essas ilusões, e é real, é a doutrina do amor de Jesus Cristo!
Da mesma forma, a humanidade é iludida pelos poderosos de modo a ser alienada, manipulada a acreditar nas mentiras dos homens, seja pelas religiões dogmáticas, nacionalistas, pagãs, seja com o inebriante patriotismo, com filosofias otimistas, com as esmolas, as festas, a prostituição, as drogas, a opressão, a propaganda, a ideologia, enfim, tudo o que procure manter a ordem e manter submissos todos os homens à vontade de alguns poucos.
Cegos pelo pecado, os homens se distanciam mais e mais de Deus e da moral quanto mais feio se torna o mundo. Estamos a ponto de destruí-lo e ainda assim confiamos demais em nós mesmos. Não aprendemos com nossos erros, como é natural em alguém humano. Há quem defenda a morte da moral, e a confiança somente no homem: justo nele que é falho e interesseiro! Justo no homem que é manipulador, enganador, que governo para seus interesses e para os poderes, oprimindo miseráveis o quanto for preciso.
Não precisamos ser tão esperançosos, acreditando que um dia todo o mundo se pacificará. Mas devemos viver de acordo com a vontade de Deus e espalhar a semente da Palavra, para que cada um faça o bem dentro de seu alcance, e assim provoque transformações naqueles que são dignos de receber essa mensagem e viver de acordo com ela. Quem segue a Deus já não pertence mais a este mundo, e quem nele confia a cada dia descobre mais maravilhas.
Quanto mais fico abismado com o horror da humanidade e com as contradições do mundo, mas acredito e amo as palavras de Jesus. Ele nos dá sentido para viver e nos ensina como viver: não para nós mesmos, mas para os outros. O mundo está dividido entre os que ouvem e os que não ouvem, os que amam e os que não amam.
Amigo, de que lado você quer estar? Acorde, levante-se, abra os olhos para a verdade que é proclamada a cada esquina, mas que a maioria não ouve nem vê! Para os homens perdidos em suas próprias armadilhas e seduções, o amor de Cristo é loucura, e assim continuam a viver indecisos, rebeldes, como simples joguetes do destino, como um bote desgovernado em meio à tempestade. Para os que despertaram para a verdade de Jesus, tudo é diferente, e são agora novos homens.
Só Jesus, o Filho do Homem, pode nos fazer mais humanos, mais felizes, mas próximos de Deus.

Primeira parte do Te Deum, obra coral religiosa do compositor romântico francês Hector Berlioz (1803-1869), baseada na famosa oração em latim Te Deum. Letra dessa parte: "Nós vos louvamos, ó Deus, nós vos bendizemos, ó Senhor,Pai eterno e onipotente, toda a Terra vos adora".

"Bem-aventurado o que superou seu ego...o que atingiu a paz...o que encontrou a verdade." (Gautama Buddha)
"O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei." (Romanos 13.10)
"Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem." (Romanos 12.21)
"Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo." (Gálatas 5.14)
"Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça." (Romanos 12.20)
"Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.O caminho dos ímpios é como a escuridão: não sabem eles em que tropeçam." (Provérbios 4.18-19)
"Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas." (Provérbios 3.5-6)
"Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal. Isso será saúde para a tua carne; e refrigério para os teus ossos." (Provérbios 3.7-8)
"O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." (1 Coríntios 13.4-7)
"(...)tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados;" (1 Pedro 4.8)
"A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei." (Romanos 13.8)
"Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus." (1 Coríntios 1.18)
"(...) abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis; alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram" (Romanos 12.14-15)
"Feliz é o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire entendimento; pois melhor é o lucro que ela dá do que o lucro da prata, e a sua renda do que o ouro." (Provérbios 3.13-14)
"Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo" (Romanos 10.9)
"Declarou-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês isto?" (João 11.25-26)
"Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." (João 8.12)

"Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.
Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!"
Legião Urbana