domingo, 30 de maio de 2010

CRÍTICA AO VÍDEO "Divagação, política e futebol - Partes 1 e 2"

Crítica ao vídeo “Divagação sobre Religião, política e futebol – Partes 1 e 2”, do site maspoxavida, de “PC Siqueira”. Vídeo que já foi exibido mais de dez mil vezes...

http://www.youtube.com/watch?v=fkHZyAp31No
A partir do link acima, o leitor poderá assistir ás partes 1 e 2 do vídeo.

Rebatendo, analisando, e apresentando argumentos


Procurei escrever esse texto com formas de expressão pouco formais, para facilitar o entendimento e se assemelhar à cativante linguagem de jovens que discursam diante de câmeras.

Primeiramente, o autor do vídeo mostra que tem uma visão limitada sobre a religião e os religiosos, o que é comum nos ateus que vestem a camisa da liberalidade e revolta contra os padrões.

Assim, o autor afirma que a religião é um dos maiores problemas da humanidade. Mas o termo religião tem mais de um sentido. O termo quer dizer “religação”, do homem á Verdade. Se hoje religião é sinônimo de divisão, isso foi resultado do preconceito e das ações naturalmente más do homem. Muito do que é bom o homem usa para o mal. Um brinquedo pode virar uma arma. A religião não é a culpada de nossos atos, até porque nós co-ordenamos a nossa posição dentro do que acreditamos e seguimos. O nosso comportamento dentro da sociedade, como dizia Max Weber, depende de nós mesmos, sendo a História o produto de ações individuais. É o indivíduo quem faz a religião ser um instrumento para o bem, para a paz, ou para a intolerância e radicalismo.
Max Weber, filósofo, historiador e sociólogo alemão (Erfurt, 1864-Munique, 1920).
Ele afirma que os princípios da religião são impraticáveis, e que os religiosos são hipócritas e fazem todas as coisas erradas que ele faz. Como ele pode dizer uma coisa dessas? Ele não tem poder de sondar a mente de ninguém e está generalizando, o que é um grande erro. Quem generaliza age com preconceito. É o mesmo que dizer que todo iraquiano quer se explodir. Hipocrisia existe em tudo. Há bons e maus em todo lugar. Por exemplo, há bons e maus políticos. Há hipócritas misturando-se à religião, mas hipocrisia não é religião. Aquela vem de seres humanos depravados. Não confundam as coisas...

O engraçado é que durante sua generalização dos crentes (todos aqueles que acreditam em Deus) ele usa termos pesados. Assim, se alguém chamá-lo de inescrupuloso, como poderá reclamar? Ora, se ele coloca os crentes como egoístas, mesquinhos, etc, ele os coloca como imorais, mas em que se baseiam os princípios morais de um ateu? Nas suas próprias opiniões, ou seja, seu referencial é ele mesmo. Se alguém dissesse que os ateus são isso ou aquilo, o autor do vídeo as criticaria, mas nesse vídeo ele cria uma imagem totalmente negativa dos crentes, como se fossem um grupo homogêneo (que age da mesma maneira), e deve ser mal visto. Talvez o autor queria se referir á algumas pessoas, mas se esse era o caso, errou na hora de falar.

Ele afirma que os crentes que “pensam” um dia largam a fé. Como ele se engana! Tantos pensadores cristãos já viveram, e quantos ateus se converteram! Quantos homens resolveram estudar a Bíblia para “decifrá-la” e acabaram por se converter... Se há os que abandonam a fé, há os que a acolhem. Os que largam a fé são aqueles jovens que, diante do discurso cativante de um outro jovem, “carismático”, “moderno” e “liberal”, o veem como um ícone e se rendem diante de seus argumentos fortes (porém limitados, superficiais, fruto de julgamento precipitado). Diante disso e de outras frases, que mostrarei ao longo desse texto, eu chego a pensar que o autor nunca leu a Bíblia, ou não tem nem a menor ideia do que ela prega, do que ensina, mas se sente na posição de afirmar tudo o que diz nos vídeos.

O autor falou absurdos que alguém que pensa mesmo não deveria dizer. “A religião subestima a inteligência das pessoas, e castra o livre pensamento”. Eis a prova da falta de confiança em seu discurso: o autor se guiou pelas aparências, apenas observou a História, o que os homens fizeram em nome da religião. Esta foi usada como instrumento de dominação, o que é ruim, mas a crença na qual se baseia não prega isso.

O autor olhou para a Idade Média e viu pessoas sendo queimadas por dizer que a terra é redonda. Pois bem, o que isso tem a ver com o cristianismo? A Igreja cometeu erros por causa de homens que mentiram sobre a Palavra (naquela época quase ninguém sabia ler, e só havia Bíblias em latim) e inventaram pensamentos que nada tinham de cristãos. A Bíblia por acaso trata de ciência? Menciona o formato da terra? A Bíblia fala mal do conhecimento? Pelo contrário, a Bíblia fala que devemos buscar entendimento, conhecimento, sabedoria, pois tudo isso é importante – permite que não sejamos enganados, dominados, que possamos julgar o que ouvimos, etc, o que é importante para ler e ouvir a Palavra, e agir corretamente nessa vida. A religião pode ser usada como instrumento ruim, mas ela por si só não é ruim. Quase todas as religiões pregam o bem em suas filosofias. As crenças não castram nenhuma liberdade de pensamento, a não ser que o homem queira. Quem crê, crê porque quer. Se pensam muito para isso ou não, depende de cada pessoa. Quem não pensa é aquele que determina uma visão precipitada sobre tudo.

O autor julgou muito superficialmente os fatos. Julgou observando somente os homens corruptos (que estão em todo lugar) e não a Palavra inalterável. A religião cristã, por exemplo, não prega dominação – isso eu afirmo. Jesus pregava a ricos e pobres, e queria que eles fossem a ele por livre e espontânea vontade. Se Constantino, imperador romano, nomeou um bispo principal em Roma e criou uma Igreja vinculada ao Estado, e os poderosos se aproveitaram disso, a culpa é deles. Se o bem foi usado para dominar, para o mal, a culpa é dos dominadores mentirosos. A Palavra, o cristianismo puro e simples, continua incorruptível e inalterável na Palavra e no coração daqueles poucos que são retos e humildes.
Jesus falava a pobres e ricos. "E tendo Jesus entrado em Jericó ia passando. E eis que havia ali um varão chamado Zaqueu; e este era um dos principais publicanos e era rico. E procurava ver quem era Jesus e não podia, por causa da multidão, porque era de pequena estatura. E, correndo adiante da turba subiu num sicômoro para o ver; porque havia de passar por ali. E, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa." Evangelho de Lucas, capítulo 19 .

Esses dois últimos argumentos rebatidos me doeram quando os ouvi no vídeo. Quando será que as pessoas terão bom senso suficiente para diferenciar o joio do trigo e julgar com mais cautela? O autor, pelo que diz mostra que sabe pouco e já quer determinar, impor uma visão de pouca base.

A afirmação do autor sobre o surgimento das religiões não está totalmente correto, quando ele diz que no início todos os que não acreditavam na mensagem de certa pessoa eram mal vistos. A religião surgiu como a busca por respostas, porque o senso do divino está dentro de cada ser humano. (Porém, ele não reconhece o único Criador, e inventa vários deuses.) As crenças surgiram naturalmente, como mitos, e só depois, quando os povos estavam mais desenvolvidos, a hierarquia de sacerdote surgiu, e mais tarde, por um longo processo, isso trouxe diferença de classes (ou estamentos) e dominação. (Entre os índios, por exemplo, mesmo entre os antigos sedentários da bacia amazônica, a presença de pajens e certa hierarquia não destruía o modo de vida comunitário). A religião não foi uma invenção objetiva. E o fato de todo povo ter tido sua religião mostra que o senso divino está em todos, como diz a Bíblia, e por isso todos podem reconhecer a Deus, embora poucos o façam sozinhos, sem ouvir a Palavra.
Segundo as mais recentes pesquisas arqueológicas no Brasil, por volta do ano 1000, enquanto a Europa vivia o auge do feudalismo, cerca de 5 milhôes de índios viviam na Amazônia, sendo alguns sedentários, estabelecidos em vilas e cidades, conectadas por estradas na floresta, onde ocorria comércio. Produziam arte refinada e até construíam paliçadas de defesa e dominavam a floresta de modo que o homem hoje não conhece. Eis a capacidade do homem de crescer e se espalhar pela Terra, e criar, e pensar. Nômades ou sedentários, o homem sempre buscou Deus de diversas formas. Agora, muitos dizem que essa busca é irracionalidade do ser humano.
O autor diz que quem participa de uma religião sabe que não pode questionar, e diz que a religião é hipócrita. Argumentos terrivelmente equivocados. O autor julga a todos a partir de alguns casos. Eu sei que não é assim. Então, o que me diz? Quem questiona, será orientado a conversar e procurar respostas – ele não será expulso de um grupo, mas também esse que pensa diferente deve ter senso e cuidado para falar o que pensa nas ocasiões apropriadas.

Se os religiosos têm dúvidas, e perguntam á mestres religiosos (padres, pastores, rabinos, etc), elas buscam a resposta de um estudioso daquilo em que acreditam. O que há de errado nisso? E quanto aos “problemas” a que ele se refere, depende da situação. Há casos em que precisamos do conselho, da mensagem de alguém mais velho, mais sábio. Ou será que o autor acha que a juventude possui hoje tanta liberdade e informação que pode agir sem dar a mínima aos outros? Não entendo por quê o autor critica esse aspecto... Resolver problemas não depende de nossa “força”, ou da vontade de resolver. Há casos em que não sabemos o que fazer, o que é melhor fazer. É difícil falar de modo geral, porque cada situação é singular. O que importa é que o homem não deve ou precisa agir sempre sozinho. E isso não tem nada a ver com “não pensar por si mesmo”.

O autor fala claramente que os crentes desconhecem o pensamento. Isso é um modo muito agressivo e exagerado de falar. Será que ele acha que só existe fanatismo religioso, e não fanatismo ateu? Como ele pode ofender os que crêem, que se sentem chamados de “burros”, pelo que disse no final do primeiro vídeo? Ele acha que crer é absurdo, e é óbvio e racional somente não acreditar. Eis uma visão muito parecida com aquela que ele critica, a de que só tal grupo possui a razão.

Ele acha que ter fé é mergulhar de cabeça no escuro. Como se só os ateus, só aqueles que não acreditam em algo maior que eles mesmos, ou algo que tudo gerou, é que exercem o pensamento e são “homens que sabem o que sabem”... Depois ele vem dizer que são os religiosos que se acham superiores. Ora, ele se acha liberto e privilegiado, pelo que diz. Há muita coisa que ele não deve saber; parece que ele só olha para os fanáticos e exagerados, e não enxerga os bons, os honestos, os humildes, os sábios, etc, que crêem em diferentes religiões. Nesse caminho, só faltava ele dizer que os filósofos que acreditavam em Deus não eram pensadores.

O que ele deve pensar de um professor de filosofia que é cristão? Ou de um cientista ex-darwinista que viu sentido no criacionismo? Tantas pessoas cheias de conhecimento chegaram á fé, pelos seus próprios passos. O autor não sabe o quanto erra em pensar daquele jeito. É uma pena que seu vídeo já tenha sido exibido milhares de vezes. Esse texto, e muitos outros são o que deveria ter sido exibido tanto assim. Mesmo que meu texto não seja atraente e inovador, ele é mais cauteloso em suas afirmações e argumentos.

Existe o outro lado da moeda. Já ouviram falar de dialética? Um pensamento-síntese só existe a partir de um combate de uma tese e uma antítese. Com aqueles vídeos e esse texto, os leitores e espectadores terão uma chance de chegar às suas próprias conclusões, e não simplesmente ouvir um discurso e achar sensato, e acreditar piamente. Não é assim que muitos aceitam uma crença, e não é isso que o autor critica? Então, deve achar bom que os espectadores encontrem esse texto e concebam suas próprias ideias.

Platão (c.428-c.348 a.C.), propôs o método de pensamento conhecido por dialética (dia/dois, e lética deriva-se de logos/razão e do verbo legin). Criador da famosa alegoria conhecida por Mito da Caverna.

Fanáticos existem. Existem pessoas ignorantes por toda parte. Mais um argumento que tende á generalização e que não acrescenta nada contra as religiões. Se não houvesse crença, continuaria a existir fanatismo em outras áreas. A religião cristã não é fanática, porque ela está na Bíblia, e a Bíblia é um livro de amor, tudo o que está lá é puro. É “a carta de amor de Deus para o homem”. Se há fanáticos, e radicais, e exagerados, eles estão cometendo erros, pequenos ou graves. Mas todo mundo erra em alguma coisa, seja “pouco” ou “muito”. (Ninguém se santificará na Terra, pois todos somos iguais, pecadores, e por isso vivemos no mesmo mundo de imperfeições e dor).

O resumo disso tudo é: existem fanáticos, mas e daí? Isso nada depõe contra a religião, pois a ignorância é natural do homem, e ninguém pode culpar as religiões por serem culpadas, ou propagadoras disso. Um pastor já escreveu um texto dizendo que a religião é a pior invenção da humanidade. Nesse sentido, ele está certo, pois se refere à religião como divisão, algo que é adotado como se fosse uma identidade nacional, parecido com a crítica que o autor fez em seu vídeo. Mas como ele é um pastor, ele sabe que as crenças são boas e importantes para o ser humano, o ruim são as instituições religiosas, que se inclinam ao poder, ao controle, até mesmo por causa de pessoas de pouco conhecimento que partem para o radicalismo. O autor do vídeo estava correto até certo ponto. Acreditar, ter uma fé não é irracional, errado como o autor colocou. Ruim é a divisão gerada pela religião como identidade. Aprendam a diferenciar as coisas, para fugir dos julgamentos precipitados...

Realmente, quem quer dormir em paz, sem pensar e se aborrecer, são muitos dos ateus, enquanto cristãos, “por bem ou por mal” (usando uma expressão do autor) procuram viver segundo o que acreditam, e buscar ser feliz e fazer o correto, tendo que suportar serem chamadas de exageradas, cegas, fanáticas, ignorantes, idiotas (citando termos parecidos com os usados no vídeo). Como se eles dormissem despreocupados e contentes... São os ateus que querem ser felizes, livres para fazer o que quiserem sem peso na consciência, sem parar para se avaliar, sem se espantar diante do enigma da existência.

Francamente, esses vídeos mostram-se hipócritas, porque colocam uns contra a parede, como sendo pessoas cheias de ódio, hipocrisia e preconceito, enquanto pregam claramente ideias de discriminação (prestem atenção nos adjetivos), de ódio ás religiões (veja como ele coloca todas elas como causas e origens de males), generalização (o que é preconceito), e por aí vai. É muito disfarçado, mas é isso. Vídeos assim tão agressivos não encontramos em blogs de religiosos.

Quando leio comentários do vídeo no youtube, me assusto com as reações. Tem gente que fala de “orgulho ateu”. Mas que coisa, daqui a pouco existirá religião ateísta! Será a “religação” do homem, entre ele mesmo e o nada. Eles estão levantando o estandarte da descrença, adotando o partido deles, e querendo pregar seu pensamento, como as religiões que criticam... Sem contar as afirmações tão precipitadas que eu fico agoniado de não poder responder...

Dizem que não há motivo para acreditar. Por que então o ser humano sempre acreditou, buscou respostas de diversas maneiras? Porque ele precisa de uma resposta, mesmo que esta seja: “não há nada”. Ser ateu também é crer, crer que não existe nada, mas eles se acham diferentes e mais sensatos, como se estivessem livres da “carga arcaica” de acreditar. Como se acreditar fosse burrice... E é isso que o vídeo diz. E mesmo assim, ele está fazendo sucesso, e um comentarista já disse que o autor logo será um “ícone” do ateísmo. Interessante, ícone... É uma coisa meio religiosa, não? Parece que o comentarista tende a buscar uma imagem para colocar em seu “estandarte” e compor sua identidade...

Também um comentarista disse: “óbvio, inteligência leva ao Ateísmo”. Esse cara não deve ser muito esperto, porque afirma uma coisa com toda a certeza, sem conhecer os fatos, sem saber que existe diversidade à volta dele; ele acha que é assim e diz que é óbvio, como se traçasse uma linha de pensamento filosófico que culminasse nisso. Preste atenção: filosofar não é determinar, é analisar. E pelo visto não analisou nada. Há sábios dos dois lados; já disse isso. Com base em quê, então, ele fala uma coisa dessas? Ele ainda escreve ateísmo com letra maiúscula, que se fosse algo além de religião, como se fosse o seu “partido de pensamento”, que de tão supremo para ele foi escrito em letra maiúscula, da mesma forma que se escreve “Deus”. É... Analisar as coisas profundamente nos revela muitas surpresas... Ainda há outro que insinua que os crentes não têm opinião própria. (Eu tenho, e aí, o que me diz?) Nem vou comentar essa última frase, porque a resposta já está clara em tudo o que já escrevi até agora.

Percebem, leitores, que nesses vídeos aparentemente libertadores, corretos, justos, sensatos, racionais, há na verdade muito daquilo que criticam, mostrando que os jovens vão à “onda ateísta” da mesma forma que radicais vão à “onda das crenças”, amando seus pensamentos, e satisfazendo seus “egos” (como o autor disse)? Eles não percebem que também muitos ateus, diante de ideias contrárias agem com ignorância, intolerância, desprezo. Isso significa que todos são assim? Não; pois então não devem dizer o mesmo daqueles que crêem.

A religião é muitas vezes necessária à ética, visto que os direitos humanos e a nossa cultura ocidental têm suas bases nas crenças bíblicas, na cultura judaico-cristã. Não há como culpar a religião, que é apenas mais uma das criações do homem. Além disso, uma crença pode ou não ser chamada de religião. E por acaso crer é ruim? Pior do que qualquer crença é a crença em nada, visto que o alvo da vida de um ateu torna-se ele mesmo, e assim o homem curva-se a si mesmo, e vive seu ciclo de poucos anos, aparecendo e sumindo com uma dúvida eterna.

Também é necessário mostrar ao autor do vídeo, que os religiosos não são mais nem menos hipócritas, nem incultos. O que geralmente acontece é o seguinte: os ateus geralmente se tornam ateus por terem contato com a ciência, a filosofia, a informação, etc, (ou mesmo empolgação e revolta contagiantes), enquanto muitos religiosos são humildes e não baseiam sua fé em teorias. Assim não é muito comum um religioso debater com um ateu. O que acontece é que não acreditar em Deus é ilógico e absurdo para os que crêem, não porque tem mente dominada, mas porque eles enxergam uma Razão para a Existência.

Ora, não sejam intolerantes: crer não pode ser visto como ridículo e irracional, porque o homem sempre acreditou, e ainda acredita, mesmo que em nada. E se o autor confessa que não sabe o que é a vida e a existência, ele mostra que quem crê está numa posição natural e racional, porque eles pelo menos percebem alguma coisa, e simplesmente acreditam, enxergam aquilo. Já o ateu somente se desprende de qualquer crença e se põe no grupo dos que não acreditam, e muitos veem isso como se fosse algo fantástico, um avanço mental. Se não se tem certeza de nada, como acreditar pode ser algo indesejável? Curioso, mesmo na falta de religião, sentimentos e ideias reprováveis se despertam...

O simples fato de existir algo já é uma grande revelação... Não importa se houve ou não evolução, o que importa é que “relógios só existem por causa de relojoeiros”. E o Universo, e nós, somos muito mais significantes do que máquinas, mesmo a menor célula. Precisamos olhar ao redor, perceber o mundo, para já darmos um passo no entendimento do que tudo é. Não crer em nada é se render á saga de se deslumbrar com o Universo, e contentar-se em viver não olhando ao além, mas ao seu próprio “núcleo”, sua vida, digamos assim. Um filósofo é como uma pulga que sobe às pontas dos pêlos de um coelho, que saiu de uma cartola por algum mágico, e olha procurando respostas. Os que ficam na base dos pêlos são aqueles que não buscam nenhuma resposta; entre eles estão os ateus, os agnósticos, preferindo prestar atenção no seu cotidiano. E os religiosos? Mesmo eles, por terem suas respostas, ou estarem buscando continuamente essas respostas (porque ninguém compreende tudo), já não estão tão concentrados nas bases, e olham para o alto.


No começo do segundo vídeo, ideias e crenças são comparados a pacotinhos, etc. Ideias não vem em pacotes, não nasceram sozinhas. Não são escolhidas pelas pessoas por simples afinidade. O autor do vídeo fala generalizando e determinando que quem segue uma ideia política ou religiosa a segue sem pensar no resto, limitando seu pensamento. Será que ele não ouviu falar de pessoas como C.S.Lewis, só para citar um nome, que foi ateu até os trinta, mas após uma longa busca converteu-se ao cristianismo, crendo na Bíblia e tornando-se um dos mais famosos escritores de teologia (e fantasia, com As Crônicas de Nárnia), rebatendo em suas obras todos os mirabolantes e equivocados pensamentos e dúvidas que havia desenvolvido ao longo dos anos? E os cientistas, filósofos, e pensadores que nunca ignoraram a busca pelo conhecimento e mesmo assim reconheciam a verdade bíblica?

Não acreditar em Deus é só mais uma opinião, um modo de ver (ou de não ver), assim como toda crença ou pensamento. Não é mais ou menos lógico ou possível, justamente porque varia de cabeça para cabeça. O mesmo ocorre com culturas. Para um índio pré-colonial, a cultura ocidental era estranha e maluca, mas para os europeus era a mais civilizada. Um ateu não consegue reconhecer razão, causa; só vê acidente. Tudo bem, eles acham que é sensato, que é lógico não haver lógica. Não acho que não pensaram para ter esse posicionamento, por isso, não digam que um religioso (mesmo que se trate de um humilde homem que quase não estudou) não pensou quando acreditou e louvou àquele do qual passou a existir.

Tanto ateus quanto religiosos estão divididos entre tolerantes e intolerantes, equilibrados e exagerados, racionais e emocionais, ignorantes e estudados, fieis e infiéis, honestos e desonestos, etc. Logo, qualquer generalização torna-se um problema. Percebam que não generalizo os ateus, falo de “alguns”, ou “muitos”. Já o autor dos vídeos coloca os crentes com um só tipo, e concentra sua atenção somente aos problemas, e os utiliza como crítica à toda crença. O que é incorreto, segundo tudo o que já escrevi.

Muitos ateus são ateus porque vão à atraente onda de libertação de ideias, seguindo aqueles que parecem mais modernos, espertos, capitalistas, e conhecedores das ciências (que são tão louvadas), ás vezes por imitação ou por simples influência desde jovens; da mesma forma que muitos crentes o são porque não tiveram acesso á outro pensamento, ou acomodaram-se à ser meio-cristãos, ou por temerem o castigo, ou por realizarem uma conexão entre suas tendências pagãs às milhares de imagens santificadas, ou por serem enganados, enfim, vários motivos, bons e maus. Mas também muitos ateus chegaram á esse pensamento por uma questão de opinião e modo de ver; e assim muitos crentes chegaram a reconhecer á Deus: pela fé, desperta pela busca de respostas e pela leitura da Palavra. Fé não é crer cegamente, é não ser cego e ver o que há de melhor.

Ele diz que os religiosos não pensam, apenas crêem para não ter de pensar. Isso é um equívoco absurdo, como se as religiões não fossem resultado de muito, muito pensamento. As crenças não surgiram em forma de caixinhas, mas sim como a busca do homem, desde a Pré-História, em entender a origem, o motivo da vida. Na verdade, quem não quer ter trabalho de pensar são aqueles jovens que, diante de argumentos sem pé nem cabeça, e diante desse mundo tão conturbado, dizem: “é mesmo, não há Deus, etc. Pronto, agora posso dormir á tarde em paz e á noite vou ‘festar’ e fazer tudo o que meu instinto ordenar”. Será que o autor do vídeo sabe o que é Teologia (Théo (Deus) + logos (razão, conhecimento/estudo)? Ele diz que saber pensar é pensar que não há resposta! “Tão simples pensamento, como seria complexo e representaria avançado exercício de pensar?” penso comigo.

O autor do vídeo ainda coloca os crentes como pessoas que desejam o mal àqueles que não pensam como elas, generalizando outra vez. Realmente há pessoas que não sabem argumentar e partem para a decepção, mas um verdadeiro crente não desejará mal, e o autor coloca todos como possuidores de um mesmo comportamento. Da mesma forma, muitos ateus adotam o espírito do domínio da razão e mente livre, e diante da defesa ou pregação de um crente, o ridiculariza, faz perguntas e afirmações tão estranhas que não se encaixam á nenhuma resposta bem elaborada, falam em tom de discriminação, fazem piadas... Não pensem que os ateus hoje são excluídos, ou vítimas do olhar reprovável dos outros, ou que eles são os raros donos do bom-senso. Hoje não são um grupo minoritário. O contrário está acontecendo: os crentes (digo os que realmente crêem) são aqueles que mais são vistos pelos outros como estranhos, como “bobões que não sabem o que é viver”. Mesmo entre pessoas que se dizem crentes, há aqueles que só são “da boca pra fora”, e riem dos que vivem de fato segundo o que acreditam.

Jovens, cuidado com o que personagens engraçados, de boa lábia, envolventes, de espírito crítico dizem sem parar por aí, divulgando suas ideias pra todo lado como se de tudo soubessem, porque jovens e adultos acham que sabem de tudo e é muito difícil questionar e criticar sem “passar da margem e atingir o campo da generalização, do anacronismo, do preconceito”. Sem perceber fazemos isso muitas vezes. Não acreditem em qualquer coisa, só porque é mais atraente.

No mundo de hoje, nada atrai mais do que um pensamento prático e “livre”, como o ateísmo. Aliás, o mundo capitalista de hoje não é exatamente amante da praticidade, da “liberdade” de escolha, de vontades, do “impulso”?


Daqui para frente vou abordar o cristianismo em muitos de meus argumentos, porque nós temos mais contato com esse modo de pensar, e fica mais fácil usá-lo em análises e exemplos.
Os cristãos da "igreja primitiva" (fim da Idade Antiga, séculos I, II e III d.C.), por causa de perseguições, reuniam-se em catacumbas, perseverando em fé apesar da difícil vida do cristão da época. Nos primeiros séculos da nossa era a mensagem bíblica expandiu-se não só pelo Império Romano, mas também para a África, ao longo do Nilo chegando até a Etiópia, também chegou á Mesopotâmia, á Índia e á China, por meio de missionários). O que fora desde Jesus uma religação, baseada na igualdade e no amor, foi vinculada pelos chefes romanos ao poder estatal e originou a instituição da Igreja Católica Apostólica Romana, no século IV, colocando o cristianismo não só como uma fé, mas como uma religião oficial.


No Império Romano, o cristianismo se expandiu fortemente, mesmo antes de Constantino, porque o contexto histórico favoreceu essa expansão. O mundo estava dividido entre paganismo, dezenas de correntes de pensamento filosófico e os cristãos perseguidos. Mesmo sofrendo perseguição, muitos tornaram-se cristãos, pois viram na Palavra a verdadeira resposta. Hoje, o ateísmo é favorecido, e os verdadeiros cristãos (os que são fiéis á Palavra) são poucos, menos do que parece. Aliás, sempre foram poucos. “Muitos serão chamados, mas poucos escolhidos”. No Império Romano, mesmo com muitos cristãos, havia poucos fiéis, pois muitas igrejas não seguiam á Palavra e adotavam maus costumes. Por isso o cristianismo não é uma religião “de moda”, e sim algo que não deixará de existir, porque se baseia na palavra divina, incorruptível, e sempre haverá os fiéis.

Pelo fato de se basear na Bíblia, o cristianismo não é derrubado por um argumento filosófico, usando a ciência como exemplo. Até porque a Bíblia é tão surpreendente que a ciência não a contradiz, embora pareça à primeira vista, ir contra ela. São poucos os que param para pensar nisso... Além do mais, Jesus não fundou uma religião, ele fundou uma crença, uma fé, um modo de acreditar e viver, uma religação entre o homem e o Criador (o que é um dos sentidos de “religião”).

Quem fundou o cristianismo como sendo uma religião (no sentido comum da palavra, o ligado à divisão) foi Constantino. Antes de existir o bispo de Roma, o papa, havia outros sabedores da Palavra, que pregavam em igrejas independentes no Mediterrâneo, na África, no Oriente Médio e até no Extremo Oriente. Os cristãos viviam da leitura e aplicação da Palavra, vivendo em harmonia (mesmo sofrendo perseguições e massacres). Só houve guerras em nome da religião depois que o Estado (os homens) se apoderaram do conhecimento bíblico e o esconderam o resto da população, ditando seus próprios pensamentos segundo suas vontades, a um povo camponês e feudal.

Em vez de analisar a História, reconhecendo que a religião foi usada pelos homens para o mal, e não que ela por si só, a pura fé, foi causa ou origem de algo ruim, o autor olhou para a História superficialmente e concluiu equivocadamente que crer é ruim, que é resultado disso ou daquilo, etc.

A riqueza e o poder da I.C.A.R. foi possível porque o conhecimento dos romanos concentrou-se nas mãos do papa, o qual passou a ocupar o trono do imperador, e com uma falsa aliança entre a ciência e a Palavra, justificou seu domínio sobre os reinos "bárbaros" da Europa. Jesus nasceu em uma manjedoura e dormia em casebres de pescadores, e sua ceia era pão e vinho. Até hoje o papa, seu "representante", dorme em "berço de ouro" e sua ceia é um banquete digno de um César.


Pensem: quem será que pensou mais, que falou consigo mesmo mais tempo, e ficou com dor de cabeça; o cristão que escreve esse texto, defendendo tanto sua fé como todos os que crêem em algo, ou o ateu que simplesmente pegou as ideias mais recentes e claras do mundo atual e chegou á conclusão satisfatória de que Deus não existe, contentando-se com isso? Não estou medindo esforços, obviamente; há grandes pensadores que adotam um pensamento ou outro, mas mostro que até agora, o que o autor determinou não tem fundamento. Eu e muitos outros não adotamos “caixinhas de religião”. O ateísmo é que me parece um pacotinho escrito “agite e beba”, ou “esquente e já está pronto”, um pacote simples, de moda, fast food, novidade, mas com gorduras trans que o tornam prazeroso. “E a embalagem é tão irresistível!”. Entendem a metáfora?

O autor também coloca a ideia de Deus como tão absurda quanto a ideia da existência de unicórnios e papai Noel, o que foi um argumento destrutivo para o discurso dele, já que eu posso usar isso para mostrar mais um pensamento enganoso e comum. Acreditar em Deus não é fruto de fantasia e superstição. É reconhecer (para mim, é ter os olhos iluminados pela luz da razão). É preciso entender que crer em Deus é lógico, não é absurdo. Como cristão, digo que creio porque vejo que é lógico, simplesmente o reconheço (isso é fé), diferente de acreditar num horóscopo, que parece um meio de se obter orientação e sorte com facilidade, sem sacrifícios (o que é sedutor). As pessoas em geral têm atração pela superstição porque ela amedronta e atiça a curiosidade, além de viciar. Não é á toa que a princípio só o povo judeu era monoteísta (eram o “povo escolhido”, entende?) e os outros, politeístas.

Para uns crer em Deus não faz sentido, para outros, é o mais sensato pensamento. Por acaso é certo que um ateu diga, então, que o pensamento do outro é impossível, que não se encaixa com a razão ou com o livre pensamento, só porque pensa diferente? Isso é ter um pré-conceito, entende? E é essa mensagem que os vídeos trazem, comparando a crença em Deus com a imaginação infantil (que não precisa de razão, análise, só de impulso) de personagens de fantasia.

É isso que difere religião/crença de superstição/fantasia. Li um livro autobiográfico de um ateu, que dava atenção ao que o horóscopo lhe dizia no jornal. Se lhe perguntassem por que era ateu, ele apresentaria uma série de opiniões, mas se lhe perguntassem sobre o horóscopo, diria: “Ah, é bom ler porque faz a gente acreditar um pouquinho...”.O homem, como a Bíblia diz, pela sua depravação não reconhece um Criador, mas passa a cultuar imagens, animais e plantas, ou diz que não há Deus. E ainda aparece outro livro que diz ser injusto chamar horóscopo de superstição, e não de crença...

“A superstição põe o mundo todo em chamas; a filosofia as apaga” Voltaire.
(Paris, 21 de novembro de 1694 — Paris, 30 de maio de 1778), foi um escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês, conhecido pela sua defesa das liberdades civis, inclusive liberdade religiosa e livre comércio.


A frase acima foi dita por Voltaire, grande pensador iluminista francês, o qual disse que em pouco tempo as Bíblias só seriam encontradas em livrarias como livros de História. Provavelmente essa frase, que é a princípio sensata, foi também aplicada à Bíblia, de modo que se tornou insensata. A filosofa pode nos revelar Deus, e nos levar a fé, e o cristianismo é uma fé indestrutível. Não é superstição. É a Verdade eternizada na Palavra cheia de sentido e sabedoria que muitos reconhecem.

Já escrevi páginas sobre a Bíblia, e tenho outros textos, os quais a defendem contra os principais preconceitos em relação á ela. Todos eles são rebatidos, e o que Voltaire disse não se realizou, nem se realizará. Não há livro como a Bíblia. Ela é o “livro dos livros”, e seu nome significa “Livro”. Daí bem biblioteca. Não é um livro que se compare á qualquer outro, mesmo que se compare ao Alcorão, e outros escritos religiosos. O Alcorão foi escrito pelos seguidores de um homem, o qual é acreditado até hoje, depois de dizer ter recebido uma revelação. A Bíblia, diferentemente, teve vários autores, mas tem concordância, suas mensagens seguem sequência perfeita, e os dois testamentos se encaixam, com o cumprimento de profecias e com o complemento do plano de Deus para o mundo. Ela sempre nos surpreende e seus ensinamentos são inesgotáveis. Ela é o Pão, que na “boca é doce, e no estômago é amargo”, é “a faca de dois gumes”. Por acaso tudo isso que eu disse foi loucura, falta de pensamento? Quanta ignorância há em dizer que toda fé é irracional! (Não critiquem a Bíblia sem cautela, antes de tudo, perguntem, e procurem respostas).

Como viver sem crer? Por que o homem é o único animal que precisa crer para viver, mesmo que tenha de crer em nada (o que é muito paradoxal) ou, melhor dizendo, crendo no “acaso” (é difícil definir o que é ateísmo)?
“O Grito” (1893) do pintor norueguês Edvard Munch. “Ela exprime poderosamente a ansiedade e o pessimismo do artista, causados pela confusão e solidão da existência” extraído de História da Filosofia, de Bryan Magee.
Querem que eu apresente a lógica de se crer em Deus? Já escrevi páginas e páginas sobre isso, indo de pensamentos filosóficos até a minha própria visão. O que importa dizer agora é que seguindo uma linha de pensamento, vê-se que crer em Deus é mais sensato que dizer: “Não há Deus, não há nenhuma causa, o mundo começou do nada e por chance tudo se formou desse jeitinho...”. Mesmo muito antes de Cristo, ou seja, bem antes de nós, homens modernos, a ideia de que algo vinha do nada ou desde sempre existia já era vista pelos filósofos como insustentável. Logo uma origem é pedida, e um motivo. Os ateus acham que tudo veio por chance, porque se não há um Deus comandando, foi só acaso. E que acaso! Tudo se fez tão bem encaixado que temos um cógido da vida, temos o Universo, o macrocosmo e o microcosmo, temos nós, com nossa mente inigualável, com nossas capacidades que nos tornam humanos, e estamos aqui pensando.

Se não há razão, causa, motivo, que é Deus, então o que é o mundo, o que nós somos, o que é existir, e qual o por quê de tudo? O que é pensar? O que é viver, o que é morrer? Não há resposta para nada disso se não se sabe a causa, razão, motivo da existência. Digo isso só pra mostrar um pouco do que podemos raciocinar sobre o assunto...

“Pelo ceticismo... Chegamos primeiro á suspensão de juízo, e depois á liberdade do distúrbio” Sexto Empírico
Agostinho de Hipona (354-430), nascido no norte da África no fim do século IV, um dos dois maiores filósofos da escolástica. Sua obra Confissões, é uma obra-prima da literatura em língua latina, e a primeira biografia da História. Adotou as mais diversas posições filosóficas e religiosas até abraçar o cristianismo aos 32 anos (o que lembra a história de C.S.Lewis, que viveu mais de mil anos depois).

Na Idade Média, com a patrística e a escolástica, a filosofia grega foi usada como instrumento para se chegar à fé. Os questionamentos e as conclusões dos gregos, assim como seus pensamentos recusados indicavam, segundo os filósofos cristãos, que buscavam aquilo que a Bíblia já havia apresentado. Alguns filósofos gregos acreditavam numa causa maior, ou algo do tipo. Também, mesmo religiões pagãs acreditavam que antes dos vários deuses havia um primórdio. Deixar de crer em uma razão, é a ilusão causada pelo fato de os fenômenos naturais terem explicação científica, somado ao desconhecimento da verdade bíblica e por análises imprudentes, somado tudo isso á descrença natural de muitos. Mas nada disso exclui Deus.

O autor diz que não vê sentido na vida e acha que a vida é simplesmente algo que não se sabe o que é: um cotidiano, uma alienação, uma coisa estranha e ponto final. É nisso que cai quem foge da religião e procura outra resposta: na descrença, no caos. Ele afirma que temos muito conforto e precisamos lutar por algo, e que não estamos preparados para viver a vida como ela é. Mas como assim “viver como ela é”, se ele não sabe dizer o que ela é? O que ele pode dizer sobre saber viver, se suas opiniões convergem para o sem-resposta?

Se um ateu acha normal, lógico, ideal acreditar em nada, se ele acha que isso não é contraditório, então as sensatas palavras bíblicas se confirmaram para mim, quando ela diz mais ou menos com essas palavras: “Só o louco diz em seu coração: ‘Não há Deus’”. Como a Bíblia é atual! Eu noto isso; acho que só a “loucura” pode deixar alguém alienado, “cego” (não me entendam mal, pois falo em sentido figurado, mas eles só precisam de um psicólogo chamado Jesus).

Por isso a Bíblia diz: “Têm olhos e não veem”. Há aqueles destinados a crer, e aqueles destinados a não crer. Enquanto se está vivo, tem-se tempo para deslocar o trilho do trem para chegar á outra estação. Mas se o maquinista está destinado a não querer mudar o rumo, a culpa será dele se chegar ao inesperado. Ninguém passará a crer por sensacionalismo ou por debates filosóficos, e sim por fé. Mas quem sabe o que despertará a fé? Saulo teve sua fé desperta por revelação, e foi daí chamado de Paulo. Outro teve sua fé desperta depois de uma longa busca de trinta anos, após “cruzar um longo deserto e chegar ao oásis”. Outro poderá crer pela leitura, o que é um meio de revelação. Deus sabe os movimentos das peças do começo ao fim do jogo, mas as peças se movem sem saber o que acontecerá, nem o que a outra peça poderá fazer. E elas se movem como querem e podem se mover no jogo. A decisão, a luta é de cada um. A vida é mais ou menos isso: uma batalha, uma jornada, cheia de opostos, de alegria e tristeza, mas com uma motivação, um resultado. A vida não é “a compra de um carro num dia, mais uma tarde de estudo, encerrada com o pôr-do-sol e a saudação da lua”.

(A lua, aquela bola branca e estranha, parecendo uma gata que olha com enigma e desdém, que reflete a luz do bom sol para que a noite não seja escura e triste demais; uma esfinge que lança o enigma mortal, mais difícil de responder do que o enigma que Édipo decifrou. Um enigma como: o que sou, o que és, o que é? O que é ser? O que é não-ser? Ser ou não ser, eis a questão... Ah, descobri que intertextualidade é legal pra caramba).

A vida é mais ou menos isso que eu apresentei: uma batalha, uma prova. Conhece “novelas de cavalaria” medievais? São jornadas de guerreiros que se transformam ao passar por provas. A vida é algo assim. Podemos vencer ou sucumbir, o que depende é o caminho que seguimos. Já leram O Peregrino? É uma obra cristã protestante inglesa. Apresenta uma jornada assim. Se quiser uma definição melhor nesse sentido, leia e estude a Bíblia toda e tente elaborar uma frase, um parágrafo ou uma metáfora aproximada. A ciência não tem definição para a vida. Se perguntar a um biólogo o que é a vida ele dirá apenas: “Eu também não sei. Mas posso citar aqui as características que a ciência atribui aos seres vivos: ...”
Martinho Lutero (1483-1546) e as 95 Teses. Ele era um padre, que diante da corrupção do clero e exploração do povo europeu por parte da Igreja, e diante das práticas religiosas "não bíblicas" (para não dizer "heranças pagãs"), tentou reformá-la, baseando suas crenças e condutas somente na Bíblia. Obviamente, a reforma não foi aceita pelo clero, e a Igreja derramou sangue para conservar seu domínio. Porém, a Palavra triunfou, e surgiram os protestantes, cristãos orientados pela Bíblia somente, e livres da manipulação do Estado.
Lutero disse mais ou menos com essas palavras: “Preguem a palavra de modo que os outros ou odeiem o pecado ou odeiem você”. O autor coloca os cristãos como pessoas que adotam sua crença por querer ter uma identidade, assim como um time, etc. O que a Bíblia apresenta sobre ser cristão é bem diferente. Não é ter um deus favorito como um personagem, mas sim crer no Deus, no Eterno, e viver para louvá-lo e servi-lo, fazendo o bem e amando o próximo... Não é fazer sucesso num partido. Se alguém segue o cristianismo por vaidade e cobiça, ele comete um erro tremendo.“Crês que Deus existe e é um só? Fazes bem; até os demônios crêem e tremem”, a Bíblia diz. Esse argumento de que se crê por fanatismo, como alguém que briga por seu time, é equivocada, pois se aplica á certas pessoas, que não são exemplo de um verdadeiro cristão. Como o autor mesmo disse, não são as ideias que nos definem, mas nossas atitudes. Então, a crença não pode ser definida como o autor a apresenta; ele deveria analisar as atitudes dos crentes fieis, analisar a fé, e não as atitudes de pessoas insensatas. As pessoas crêem por mais de uma razão. Não compare fé com a tentativa de a pessoa se definir como pessoa. Aliás, esse argumento me pareceu estranho e uma simples opinião, sem poder atribuir de fato uma crítica.

O autor disse que ninguém sabe de nada. “Só sei que nada sei”, disse Sócrates. De fato, o homem é muito limitado para saber de algo. Só Deus sabe. Nós achamos que sabemos. Nós só conhecemos as sombras da realidade. Conhecem o Mito da Caverna, de Platão?

O autor também diz que o mundo é “uma luta de egos, de razões”. O homem, de tanto buscar uma razão, não a encontra, renunciando á busca e dizendo que não há nada, ou que não há como saber de nada. Isso porque fogem da ideia de reconhecer Deus, que sempre se mostrou como a resposta ideal, e como poucos entendem do assunto, criticam sua Palavra, levantam argumentos que são apenas opiniões, e não fatos, e comparam o cristianismo á qualquer ideia.
Cúpula da Basílica de São Pedro, construída com o pagamento de indulgências, com o suor e fome do povo. Quem a adentra sente-se esmagado. Um monumento à grandiosidade de Deus, ou ao poder do clero? Não deixem que as mentiras do homem ofusquem a Verdade da Palavra, que prega amor, humildade, igualdade...


Acho que já escrevi bastante. Mas há tanto o que escrever ainda... Já pensei tanto comigo mesmo, defendendo-me em pensamento, contra tanta coisa que escuto por aí, e vejo sentido no que penso, e sinto que deveria gritar para todos por aí, mostrando que precisam parar e ouvir, e tomar cuidado, e abrir os olhos e sair da caverna... Espero que possa aos poucos escrever, e escrever, sempre que puder, e sempre que minha mente conceber. Espero que essas palavras tenham sido úteis.

Encerro este texto apresentando um trecho bíblico (Romanos, capítulo 12, versículos 9-21):
O amor deve ser sincero. Odeiem o que é mau; apeguem-se ao que é bom. Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios. Nunca lhes falte o zelo, sejam fervorosos no espírito, sirvam ao Senhor. Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração. Compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades. Pratiquem  a hospitalidade.
Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem. Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram. Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos.
Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor. Ao contrário:
"Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer;
se tiver sede, dê-lhe de beber.
Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele".
Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.

Gabriel P. B.