domingo, 14 de fevereiro de 2010

A Verdadeira Leitura

A verdadeira leitura

O que leva alguém a fazer uma leitura profunda da Bíblia e outro a interpretá-la de forma equivocada? Isso depende da ação do Espírito Santo. Sempre que for ler a Bíblia, ore para que Deus lhe dê discernimento, sabedoria para lê-la. Muitas pessoas interpretam a Bíblia de tal forma que constroem ideias erradas, contraditórias ao que ela diz. Até o fato de ter sido escrita originalmente em hebraico e grego implica que uma palavra pode trazer vários sentidos, e portanto a linguagem original pode trazer mais possibilidades de interpretação do sentido lírico que há na Bíblia.

Um exemplo está em Coríntios, capítulo 11 (O véu e seu uso na igreja de Corinto). Nesse capítulo, Paulo fala aos coríntios da relação homem e mulher e uso ou não-uso do véu nas orações. Está claro que Paulo trabalha com símbolos, e há uma mensagem lá dentro (por exemplo, a mensagem de que devemos nos comportar de forma apropriada para louvar a Deus e devemos respeitar as tradições, e algo mais a respeito da posição do homem e da mulher na religião), quando ele trata dos costumes de Corinto, na época remota de Corinto, na cultura daquele tempo e daquela sociedade.
Ruínas da Acrópole de Corinto. Nessa cidade grega, marcada pelo paganismo, nasceu uma igreja cristã, à qual foram enviadas as Epístolas de Paulo aos Coríntios.

Isso não significa, logicamente, em hipótese alguma, que as mulheres cristãs devem usar um pano sobre a cabeça para poder adorar a seu Deus sem sentirem vergonha. Lá dentro há uma mensagem a ser entendida, que não pode ser interpretada ao “pé da letra”. A Bíblia trabalha com lirismo, parábolas, mensagens simbólicas e poéticas – a Bíblia não usa a linguagem científica, pois ela é um livro da alma, e não da Terra. Logo, ela possui mensagens a serem compreendidas, e não uma lista de regras sem razão, sem fundamento a serem seguidas cegamente. A Bíblia é sábia, possui sentido. Aliás, qual a importância de regras que apontam para o material para que se tenha fé? Essas são armadilhas criadas pelo homem, seja por ignorância, seja para dominar a população.

Aqui está uma defesa bíblica: se alguém diz que a Bíblia trouxe muitos problemas ao mundo, saiba que isso se deveu ao uso inadequado da Palavra pelo homem, que a distorceu e a utilizou como pretexto para o mal. Mas ela é boa e nela está guardada a Verdade, que ninguém pode mudar.

Gabriel P. B.

A Bíblia e a Oração

A Bíblia e a Oração


Muitos não acreditam na veracidade da Bíblia e apresentam diversos argumentos sobre isso. A verdade é que essas pessoas têm muito pouco conhecimento a respeito dela, e a maioria é completamente ignorante a seu respeito. É comum as pessoas julgarem algo sem conhecer, e quando se trata da Bíblia, o assunto é mais sério, pois esse é um livro diferente de qualquer outro.

Você pode não acreditar nela, mas afirmar que não passa de um livro de mitos é ser ignorante ao extremo. Mesmo aqueles que não acreditam em sua veracidade devem ao menos notar que não há livro com mais coerência e sabedoria do que a Bíblia, esse livro que sempre surpreendeu o homem.

É por isso que ela não é hoje, mesmo em meio a tanto desenvolvimento científico, colocada nas prateleiras de bibliotecas como um livro de História, como afirmara Voltaire que aconteceria. É por isso que muitos estudiosos descrentes se converteram através de sua leitura. Então, sejamos todos cautelosos em qualquer julgamento.

A Bíblia foi escrita por homens diferentes, em épocas diferentes, mas a sua coesão e perfeição se deve, então, á ação de Deus. Ela foi escrita por inspiração divina. Deus, criador do homem e do Universo, falou aos homens através do Espírito Santo. Sendo corpo, alma e espírito, o Espírito de Deus que habitava o coração desses nobres homens falou-lhes á alma, á mente, ás vezes por meio de milagres, e coordenou todos os acontecimentos para que a Bíblia fosse formada em perfeição.

Ela é o guia para a Vida, é a “carta de amor” de nosso Pai á nós. É um pedido do Pai para que seu filho retorne, é a orientação do Pai para que o filho encontre o caminho para a Vida. Existem cristãos que não confiam totalmente na Bíblia, outros acreditam em Deus, mas desprezam-na, o que é contraditório. Como o homem, separado de Deus, poderia chegar á Ele senão pela orientação da Bíblia e o conhecimento daquele que morreu para nos libertar? Como viver segundo a vontade de Deus, como ter um relacionamento profundo com Ele, como conhecê-lo um pouco, como permitir que o Espírito Santo nos oriente e nos traga sabedoria, senão com a leitura e estudo da Bíblia? A Bíblia é para o crente como a espada para o guerreiro, e é uma espada de dois gumes.

Existem muitas outras defesas da Bíblia contra argumentos preconceituosos e muito nocivos de pessoas que de nada sabem, mas deixo isso para outra postagem. Também há muitas outras análises profundas da preciosidade da Bíblia.

Nessa postagem, para mostrar um pouco da profundidade da Bíblia, vou analisar um trecho do Sermão da Montanha, o sermão mais famoso de Jesus. É o trecho que apresenta a “oração universal” do “Pai-nosso”.

Vou transcrever esse trecho da Bíblia de Jerusalém, que é considerada a Bíblia de linguagem mais próxima do original hebraico-grego. Todos os tradutores foram pessoas muito habilidosas, entre elas J.R.R.Tolkien, o escritor de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, que era um grande lingüista. Essa Bíblia possui os “deuterocanônicos”, livros do Antigo Testamento que só são aceitos como livros inspirados pelos católicos. De qualquer forma, essa Bíblia foi organizada por protestantes e católicos, e o notável é a linguagem mais lírica, já que a Bíblia trabalha com lirismo, poemas, parábolas, etc, que concentram a mensagem divina.

“A verdadeira oração. O Pai-nosso – Nas vossas orações não useis de vãs repetições, como os gentios, porque imaginam que é pelo palavreado excessivo que serão ouvidos. Não sejais como eles, porque vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de lho pedirdes. Portanto, orai desta maneira:


Pai nosso que estás nos céus
santificado seja o teu Nome,
venha o teu Reino,
seja feita a tua vontade
na terra, como no céu.
O pão nosso de cada dia
dá-nos hoje.
E perdoa-nos as nossas dívidas
como também nós perdoamos aos nossos devedores.
E não nos submetas á tentação,
mas livra-nos do Maligno.”
Jesus ora no Getsêmani, pouco antes de ser traído e preso. Seus discípulos, cansados, acabam caindo no sono... Leia Marcos, capítulo 14, versículos 32-42.
Há muito sentido nesse pequeno trecho, apenas. Vamos aprender o que Jesus nos diz. “Nas vossas orações não useis de vãs repetições, como os gentios, porque imaginam que é pelo palavreado excessivo que serão ouvidos”, esse trecho nos mostra que não é certo “rezar”, ou seja, repetir frases prontas diversas vezes, esperando que assim Deus nos ouça, porque Deus não nos ouve por excesso de palavras.

“Não sejais como eles, porque vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de lho pedirdes”, Deus de tudo sabe, então não é preciso falar de tudo o que fizemos, com todos os detalhes, como se o que não fosse dito não seria ouvido por Deus. Deus sabe dos erros que cometemos, basta admitirmos esses erros e pedirmos perdão.

“Portanto, orai desta maneira:” esse trecho não quer dizer que a oração do Pai-nosso é a única que deve ser feita, nem é a verdadeira. O título “A verdadeira oração” se refere á maneira, como está claro na frase. O Pai-nosso é o modelo de oração, nos mostra como devemos orar.

Vemos que esse modelo mostra que devemos orar, falar com Deus, e não rezar, com repetições inúteis e ainda mais falar com um santo, um homem ou mulher canonizados.

Primeiro, enaltecemos Deus, o louvamos, o colocamos em primeiro lugar em nossas orações para mostrá-lo como nosso Pai e como o Ser Verdadeiro e Supremo, diante do qual somos nada. Nós o colocamos como a Razão de nossas vidas.

Veja que o chamamos de Pai, porque quando oramos nos falamos á Ele como um filho fala ao pai que ama. Nós enfatizamos que ele está nos céus, ou seja, é superior ao homem e ao Universo que criou, pois é Deus.

“Santificado seja o teu Nome” quer dizer: que teu Nome seja louvado; é uma parte da oração que o colocamos como o único digno de todo louvor e adoração.

“Venha o teu Reino”, nesse trecho dizemos que esperamos que ele reine sobre o mundo, sobre nossos corações e o de todos os outros que ainda não o conhecem.

“Seja feita a tua vontade”, esse trecho mostra que Deus controla todo o Universo, e que tudo é feito segundo seu propósito, sua sabedoria, e nós colocamos nossos desejos e pedidos abaixo de sua vontade.

“Pai nosso que estás nos céus
santificado seja o teu Nome,
venha o teu Reino,
seja feita a tua vontade
na terra, como no céu”.

Perceba como a Bíblia, com poucas palavras, inunda nossa mente com mensagens maravilhosas!
Jesus no Monte das Oliveiras

“O pão de cada dia
dá-nos hoje.”

Nesse trecho, pedimos a Deus sustento á vida material, mas apenas o sustento, á subsistência. Não devemos pedir glória e prosperidade na Terra, porque tudo isso é fútil e passageiro. Se temos prosperidade, agradecemos pela bênção. Mas não devemos almejar isso, nem nos enraivecermos com Deus se tudo perdermos. Lembre-se de Jó, que mesmo caindo em desgraça manteve-se fiel á Deus.

Devemos confiar tudo á Deus, e a Ele pedimos bênçãos, mas devemos ser cuidadosos nisso para não pedir muito, e não passarmos a exigir direitos. Devemos, em suma, confiar nosso dia-a-dia á Ele e pedir paz no coração.

Perceba que “pão’ não quer dizer só alimento material, mas também o espiritual. A Bíblia é o pão do crente, que é doce na boca e amarga no estômago: ela é bela e surpreendente, mas também causa transformação, e mudar é doloroso, implica destrona, desmoronar uma forma de vida e renascer, em outra. Esse trecho pode ser um pedido á Deus para que Ele esteja presente em nossas vidas guiando-nos.

“E perdoa-nos as nossas dívidas
como também nós perdoamos aos nossos devedores.”

Nesse trecho, reconhecemos que somos pecadores e pedimos perdão por nossos erros. “Dívidas” refere-se aos nossos pecados, á eterna dívida ao Deus que pagou por nós com vida. Também reconhecemos mais adiante que só merecemos o perdão divino se formos capazes também de perdoar, de amar o próximo. Aqui se reconhece que Deus nos ama a ponto de livrar-nos do pecado e nos conceder amor, a chave para o perdão.

E não nos submetas á tentação,
mas livra-nos do Maligno.”

Aqui muitos se confundem por causa da palavra “submetas”, pois não acreditam que o Senhor nos submeta á tentação. O fato é que Deus nos prova, e a tentação é uma prova, mas nós temos condições de resistir á ela. Se caímos em tentação e não resistimos, embora tenha sido por nossa fraqueza, fazia parte dos planos de Deus, que nos provou. Assim nesse trecho pedimos, em linguagem mais fácil, que Deus nos dê forças para resistir ás provações, e assim nos livres do caminho do mal.

Esse é apenas um trecho de um sermão, que é apenas uma pequena parte da Bíblia. Ela é como o mar, cheio de belezas e segredos; há tanto conhecimento na Bíblia! E ainda assim ela só traz uma parte limitada da Verdade, porque para o homem as cosias de Deus são muito grandes e nos parecem loucura.

Gabriel P. B.